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A GESTÃO DE PROJETOS COMO FORMA DE MELHORAR CAPACIDADES EMPRESARIAIS
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O projeto PIA2 parte de um conjunto de investigações, reflexões e experiências que demonstraram que a formação profissional vê a sua missão reforçada quando aposta na gestão de projetos enquanto método de ensino e aprendizagem.

A pergunta que se impõe de seguida é saber de que forma isto tem impactos positivos no sector económico?

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A GESTÃO DE PROJETOS COMO FORMA DE MELHORAR CAPACIDADES EMPRESARIAIS

O projeto PIA2 parte de um conjunto de investigações, reflexões e experiências que demonstraram que a formação profissional vê a sua missão reforçada quando aposta na gestão de projetos enquanto método de ensino e aprendizagem.

Esta escolha implica definir um novo estatuto e identidade para a escola e para os/as professores/as ou formadores/as, mas sobretudo para o/a formando/a ou aluno/a que, ao mesmo tempo que recebe e demonstra conhecimentos adquiridos, é construtor/a da sua prática, do seu percurso, do seu currículo, ao poder decidir temas, estratégias, tempos, recursos e relacionamentos.

Do ponto de vista da sua preparação pessoal, profissional e de cidadania isto representa uma maior empregabilidade e capacidade de integração e progresso social e profissional, porque competências práticas, relacionais e pessoais são trabalhadas de forma holística. Com isto, é reforçada a capacidade de enfrentar o desconhecido e a incerteza, a mudança e os problemas.

A pergunta que se impõe de seguida é saber de que forma isto tem impactos positivos no sector económico? Note-se que, aqui, por impacto positivo, entendemos a existência de empresas e organizações melhor preparadas para competir com os seus produtos e serviços, mais capazes para se integrar local e nacionalmente, mais aptas para se posicionar de forma global e, ainda, mais equipadas para mudar e inovar num momento da história em que a regra é ser diferente, ser distinto, ser "desigual".

O projeto PIA2 defende a existência de uma relação direta entre, por um lado, as/os profissionais cuja formação e aprendizagem aconteceu em torno da gestão de projetos e, por outro, as empresas e organizações que têm êxito de forma sustentável. Aliás, a aposta dos sistemas educativos em formação com fortes componentes práticas, com vários estágios e com um contacto regular com a realidade laboral é sinal dessa mesma relação. A grande diferença está provavelmente no esforço que o PIA2 está a fazer para sistematizar a gestão de projetos como eixo pedagógico, de forma a torná-lo mais conhecido, acessível e transparente, e mais fácil de aplicar.

Nessa relação positiva, destacamos as competências que podem ser adquiridas na gestão de projetos, sobretudo quando o processo é devidamente apoiado pela escola e corpo docente. Por competências entendemos, não apenas o conhecimento teórico adquirido, mas também a capacidade de mobilizar esse conhecimento e aplicá-lo na prática em situações desconhecidas e que, por isso, implicam também a posse de traços pessoais específicos. Abordamos, de seguida, diferentes exemplos de características de personalidade estratégicas, procurando demonstrar a forma como fazem toda a diferença na performance individual, de equipas e de empresas:

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    • Liderança: visão a longo prazo, antecipação de cenários, conciliação de interesses;
    • Empatia e Relacionamento: compreensão e tolerância; capacidade de comunicar e dialogar;
    • Resolução de problemas e conflitos: conciliação de perspetivas, pensamento complexo e abstrato, avaliação de cenários e alternativas;
    • Planeamento e organização: dos fluxos de trabalho individual e coletivo, de recursos, de redes e parcerias;
    • Orientação para o trabalho: saber dar ênfase à qualidade dos produtos e serviços, à satisfação da/o cliente, ao bom relacionamento com a rede de parceiros e/ou fornecedores;
    • Melhoria, mudança e inovação: capacidade de inovar, de corrigir, de abstrair, de fazer ligações

Estas competências garantem que conhecimentos e capacidades encontram correspondência e se manifestam através de comportamentos muito concretos, isto é, os comportamentos considerados fundamentais não são apenas percebidos de forma teórica e intelectual, não são desconhecidos, nem estão fora da prática do/a profissional em causa.

Esta é precisamente uma vertente em que empresas são cada vez mais exigentes, porque reconhecem que a sua vantagem competitiva reside aí: em construir equipas com autonomia, sentido crítico, compromisso com uma visão e uma identidade, capacidade de de criação, improviso e adaptação, de discussão, consenso e negociação. Apenas com profissionais altamente capazes e em desenvolvimento contínuo, as organizações conseguirão inovar, mas também de ser eficazes e eficientes, de ter um bom desempenho em rede, uma boa dinâmica em equipa e com isso uma identidade e uma visão claras e coesas que orientam de forma flexível e clara os comportamentos e os resultados a atingir.

O mercado de trabalho – empresas e organizações de forma geral – têm cada vez mais expectativas em relação aos Recursos Humanos que recrutam. No entanto, estas necessidades prementes de terem processos produtivos criativos e eficazes e de terem equipas que se sentem parte de uma empresa e nela participam ativamente, muitas vezes não são cumpridas, porque são competências e comportamentos que não estão desenvolvidos e consolidados de forma prática. É comum aquilo que se conhece geralmente por 'soft skills' serem apenas parte de um discurso cognitivo para o qual há alguma consciência, porém pouco 'saber ser, estar e fazer' ao nível pessoal e relacional.

É neste aspeto que a gestão de projetos como base da educação e formação pode representar várias vantagens como metodologia de aprendizagem e de trabalho. Esta permite consolidar, não apenas a consciência da importância de atitudes e comportamentos, mas sobretudo permite a sua vivência, a compreensão da sua importância, não apenas de forma cognitiva, mas também a partir de uma perspetiva emocional e da perceção dos dilemas e complexidades que a prática reveste necessariamente.

A integração na perspetiva pessoal e no trabalho de visões positivas e complexas em relação à diversidade cultural e social, à gestão do tempo, ao clima e ambiente coletivo de trabalho, à complexidade de fatores a considerar num mundo global e tecnológico só podem ter um impacto positivo na ambição e amplitude de objetivos que as pessoas conseguem definir para si mesmas, mas sobretudo no aprimorar da capacidade de planear e implementar com rigor, com capacidade de antever e gerir imprevistos, problemas e desafios que quotidianamente se colocam.

Deste forma, acredita-se que as economias e as empresas que são os/as seus/suas protagonistas serão mais capazes de gerar riqueza, de iniciar processos de desenvolvimento sustentáveis e equitativos para pessoas e para o ambiente e de inovar e encontrar soluções para necessidades prementes.